Para comemorar o aniversário de 15 anos de sua franquia mais rentável – comemoração esta que
rolou em pesoaqui no
GameTV em meados de março – a
Capcom, pouco mercenária que é, resolveu lançar um de seus maiores clássicos modernos no formato mais recorrente dos últimos anos.
Resident Evil 4 HD já está disponível tanto na
Live Arcade quanto
PSN por módicos 1.600 MS Points ou 20 dólares, respectivamente.
RE4 foi um dos jogos mais aclamados e influentes da geração passada – e por que não desta? –, mas será que essa “nova” iteração faz valer realmente uma quarta compra? Digo isso porque esta foi a quarta vez que comprei
RE4: primeiramente no
GCN em 2005, mais tarde numa versão que “nunca viria a existir, do contrário cabeças rolariam” de
PS2 e mais tarde na dita versão definitiva, para
Wii.
Moto-serra, ovo de galinha e fóssil parasitaSe você aí, jogador metido a “hardcore”, que gasta horas e horas com seu headset devidamente acoplado, enfiado em partidas fervorosas de algum FPS de guerra/pseudo-sci-fi qualquer,
nunca jogou
RE4, trate de criar vergonha na cara e tentar se redimir deste erro grosseiro agora mesmo. A oportunidade está bem debaixo do seu nariz.
RE4 é o precursor do estilo difundido e aprimorado por uma das séries mais amadas da atual geração de consoles –
Gears of War. O próprio criador e pai dos Locusts e COGs já admitiu isso em uma série de
entrevistas. E sim, só estou usando isso como subterfúgio para convidar você, que nunca jogou
RE4, a olhar e apreciar o game com a devida importância.
Seis anos após o lançamento original, acho meio redundante comentar sobre a trama do jogo, mas lá vai: Após o fim de Raccoon City em
RE3, a universalmente conhecida Corporação Umbrella – responsável pelas catástrofes que todos conhecemos e amamos nos jogos anteriores da série - não conseguiu se manter por muito tempo e decretou estado de falência.
Leon Kennedy, o policial novato protagonista de
RE2, agora experiente e recrutado como um agente especial, é enviado a uma vila recôndita da Espanha para uma missão confidencial: resgatar a filha do presidente dos Estados Unidos, então abduzida por um grupo cultista desconhecido.
Leon invade a vila, descobre que um parasita da época jurássica está causando um estado de abstinência comportamental na população local – que agora se vê controlada pelo líder do grupo religioso Los Illuminados,
Osmund Saddler – e ainda se depara com sua antiga paixão, tida como morta,
Ada Wong. Some a isso um biólogo ex-policial mulherengo, um ex-camarada das antigas, um castelão aspirante a
Napoleão Bonaparte e mais um sem fim de aberrações que desafiam as leis da boa natureza. Em outras palavras, tudo que um verdadeiro
Resident Evil precisa para ser bom.
Aproveitando a deixa, um adendo: Ouço muita gente por aí criticando fervorosamente a trama e os personagens da série
RE. Por esses, só lamento. Esperar um filme de
Ingmar Bergman colocando um de
Lloyd Kaufman para rolar é, no mínimo, imbecil, e é exatamente este o caso.
RE sempre será filme B/trash da melhor qualidade e nunca houve pretensão nenhuma para tentar ser diferente. Ou será que uma frase do tipo “sounds more like an alien invasion to me” daria certo dentro de que outro contexto? Funciona perfeitamente para aquilo que se propõe e, partindo desse pressuposto, temos aqui uma das tramas mais divertidas da série.
Mas e o tal HD do título?Você, aficionado por
RE4, que está para terminar o jogo pela décima terceira vez, sabe que existem por aí uns tais patchs não oficiais para a versão de
PC que tornam o game um verdadeiro luxo até para a atual geração de consoles. Caso detenha conhecimento desta versão, este relançamento para
Live e
PSN pode vir a ser uma decepção. Caso não, não há do que reclamar aqui: todos os extras da versão de
PS2 – o jogo paralelo com
Ada Wong, os personagens a mais no modo Mercenaries, as roupas adicionais para
Leon e
Ashley – estão presentes e tudo com o visual mais caprichado das versões de
Wii/
GCN.
Os tempos de carregamento são rápidos, não há queda na taxa de quadros por segundo – nem mesmo em momentos onde há um grande número de inimigos na tela –, há uma melhoria discreta, mas que faz diferença, na paleta de cores, além de, por fim, terem desaparecido as tarjas pretas do falso widescreen que assombrou até mesmo a versão de
Wii.
Nada mudou na parte da jogabilidade – a visão continua por cima dos ombros, o inventório de itens é lidado exatamente como no jogo
Diablo e não, não há como andar e atirar. Os controles ficaram muito bem adaptados ao
Xbox e no
PS3 temos algo exatamente como visto em sua versão de
PS2. Mas é claro que a Capcom poderia ter adicionado qualquer coisa que seja nessa nova versão, como um “obrigado” àqueles que colecionam
RE4 na estante de casa.
Infelizmente, no ocidente, não houve uma versão física deste lançamento, o qual, no oriente, recebeu uma edição requintada, trazendo uma coleção apetitosa de brindes e presentes aos fãs da série, além de trilha sonora e de todos os games principais em mídia até
RE4, tudo em estojos caprichados, como você pode ver (e salivar) na foto:

O grandissíssimo ponto negativo fica para a versão de
PSN não ter suporte ao
Move. Mancada braba da
Capcom, pois é praticamente de conhecimento popular que
RE4 no
Wii funciona de maneira impecável e soberba. Não custaria nada ter levado um tempinho a mais para lançar o game com esse excepcional extra.
No mais,
RE4 HD é
RE4, um dos jogos mais importantes e influentes da última década. Com relação a esta versão em particular, as críticas surgem aqui e ali, mas ainda assim estamos falando da
magnus opus de
Shinji Mikami, em seu ápice criativo. Garanto que 3,67 GB não serão tão bem ocupados no HD de seu console favorito. Vá sem medo e não se esqueça: “
Morir es vivir”.