The Witcher 2: Assassins of Kings

Quando The Witcher 2 começou a receber suas centenas de críticas boas, quem não tinha um PC bacana só podia sentar e chorar. Particularmente, não consegui dar muita bola para um RPG ambulante com enredo gigante e os infinitos adjetivos que costumam acompanhar esses jogos, afinal de contas, os consoles já são casa deElder Scroll, Dragon Age, Kingdoms of Amalur e seus afins. Burrice da minha parte, devo dizer. Como dona de umXbox 360, minha amargura por não ter passado raiva com as obras mais recentes da From Software passou de vez com The Witcher 2.
Logo de cara, dá para perceber que não é um jogo amigável e muito menos um título sobre colecionar "coisas" e ser épico sem motivo, como os recentes RPGs hack-n-slash que andam saindo. A CD Projekt jogou na cara da maioria das desenvolvedoras que é mais do que possível entregar um RPG de qualidade sem apelar para mundos gigantescos ou sistemas de criação de itens infinitos. The Witcher 2 funciona pelo enredo, pelos personagens e pelo combate propositalmente lerdo e disfuncional, demonstrando que estratégia é mais interessante que ficar apertando botões freneticamente. Por esses motivos, a aventura da CD Projekt vai agradar mais os fãs de dungeon crawlers antigões do que a galera treinada no esquema já conhecido de MMOs que consistem apenas de matar monstros e subir de nível.

RPG só para grandinhos
Como você assume o papel de Geralt of Rivia, a personalização exagerada que anda tão em alta hoje em dia, fica de fora. Confortavelmente, o protagonista é um dos poucos Witchers que sobraram pelo mundo, apresentando-se como uma espécie de Schwarzenegger medieval: o papel de Witchers cabe apenas a humanos geneticamente modificados, treinados para matar monstros desde pequenos. A cena inicial mostra um interrogatório, feito por Vernon Roche, no reino de Temeria, em que ambos personagens tentam juntar as peças do assassinato do rei Foltest, que estava sob proteção Geralt. A partir desse ponto, o reino de Temeria entra em caos e Geralt enxerga a necessidade de sair em uma missão para limpar seu próprio nome e entender o mistério da morte de Foltest.
Essa sequência já dá a letra: é possível rever os fatos na ordem que os jogadores quiserem, sem depender de uma lineariedade para funcionar. O desenrolar do enredo traz consigo opções de diálogos e ações que não dependem de barras mágicas de moralidade ou escolhas de enredo extremas e óbvias. A regra de jogos que se moldam ao seu estilo que a Bethesda e a BioWare tanto insistem soa fichinha quando comparada a um universo que não depende de estradas que se separam ou opções óbvias. A maioria das decisões que você tomar em The Witcher 2 são tão sutis que nem parecem decisões, só depois de algumas horas de jogo, em uma fórmula mais funcional que os moldes de hoje em dia, ajudando na hora de criar um âmbito adulto e maduro para a aventura de Geralt; é necessário lidar com as consequências políticas das suas ações.
Verdades, meia-verdades e mentiras invadem o mundo de reis, magos, soldados e meros habitantes de cidades. Sempre há uma motivação nos diálogos principais e secundários e sempre há atividades a serem feitas nos ambientes visitados. Suas ações durante essas visitas, seja intimidando moradores ou se aproveitando da boa-vontade dos mesmos, não cria cicatrizes na sua cara nem faz com que as pessoas fiquem com medo, não existe idealização alguma perante suas atitudes.

Misturando estratégia com combate em tempo real
Nem todo Witcher possui as mesmas habilidades, podendo partir para a excelência em combate, habilidades com magia ou uma estranha e única capacidade de ser bom com poções. As tais receitas esticam ainda mais o arsenal de Geralt, que varia entre armas para combate a curta e longa distância, armadilhas, uma espada de prata para seres de natureza mágica e uma de aço para o resto da humanidade. A extensão da jogabilidade podia criar o típico ambiente em que é possível jogar de várias maneiras e chegar ao mesmo ponto, a variedade é usada desde o ínicio do título como forma de estratégia.
Muitas vezes, Geralt vai enfrentar um número grande demais de soldados ao mesmo tempo, ou vai ser perturbado por um dragão enquanto estiver no meio das batalhas, o que exige um certo nível de preparo antes das batalhas. Nos níveis mais fáceis de The Witcher 2, dá para dispensar a estratégia necessária durante os combates. O que não muda em nenhuma dificuldade é que Geralt é lerdo e não pode tomar poções e afins durante as batalhas, o que exige maestria na hora de controlar seus ataques físicos e mágicos, assim como a sua defesa.
Na hora do combate é onde o jogo acaba deslizando um pouco, por problemas com a câmera. Na hora de entrar em ambientes com muitas colunas, por exemplo, não é raro ter sua visão tapada no meio de uma luta, ou passar batido por um item que não foi olhado diretamente. Quanto aos gráficos, que eram o ponto alto na versão de PC, a apresentação do título em um console de mais de sete anos de idade chega a ser magnífica, com apenas alguns problemas de textura que podem passar batido caso o jogo seja instalado no HD, o que é altamente recomendável.

Sem desculpas para não jogar
Por mais que o primeiro título da série esteja ausente da biblioteca do Xbox 360, nada impede que quem nunca deu chance para a série pare um pouco de jogar Skyrim e curta o RPG. Acredito que seja um dos melhores títulos do gênero, que surgiu além do PC graças aos esforços e a boa vontade da CD Projekt.
As melhorias apresentadas na versão Enhanced também valem uma olhada por quem já se aventurou na pele de Geralt, com mais horas de missões, gráficos "melhorados", um tutorial novo para facilitar a vida dos iniciantes e um modo arena, que exige que os jogadores sobrevivam a ondas de inimigos. É uma espécie de Game of the Year Edition, mas que vale muito a pena para quem nunca teve oportunidade de testar a franquia. Para a infelicidade dos jogadores brasileiros, o único meio de colocar as mãos em The Witcher 2 para Xbox 360 é importando o título, já que a Warner Bros. optou por não lançar o game por aqui.
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